Dear Dandy Darling,

Eu te criei há uns 3 anos e, como seu criador, posso te descriar just as easily. Tudo que eu precisava de você eu já aproveitei faz tempo e agora já não faz mais sentido carregar seu corpo morto como escudo para me proteger.

Você surgiu de diversas referências, já que eu mesmo nunca me senti capaz de criar algo puramente meu. Seu nome veio de uma atriz trans que se mudou para Nova York e almejou seu sonho de ser uma Warhol Superstar, sendo queridinha entre todos. Você só confiou no seu modo torto de andar de salto porque a Alaska tem duas pernas esquerdas. Você sempre se jogou no trash porque a Divine inverteu padrões de estética, beleza e comportamento dentro e fora do mundo drag.

Não a culpo e nem acho errado, suas referências dizem muito sobre nós e quase ninguém se dispõe a entender. O público ora ri com a gente, ora ri da gente. Mesmo que eu tenha conseguido alcançar coisas que eu sempre sonhei só por sua causa, sempre algo me fazia sentir um fracasso. E quem tinha que nos levantar de volta e tentar justificar nossos erros sempre fui eu.

Talvez eu esteja sendo muito duro com você e comigo mesmo, mas sempre foi assim. Na verdade, acho que eu fui duro com você das formas erradas e tentei consertar coisas que nunca estiveram erradas, enquanto os erros permaneciam lá. Seus erros foram meus erros e não cabe mais gastar tempo tentando consertá-los.

Aquele garoto tímido que sofria (e sofre) calado na escola esperava sim chegar longe porque os adultos diziam que você era muito inteligente e criativo, mas as crianças nunca te entenderam e você nunca as entendeu. Eu crescia e as coisas não pareciam mudar. Até hoje eu sei que não consigo viver ao meu potencial porque eu mesmo nunca deixei. Então eu te criei.

Você poderia ter ido muito mais longe se não fosse por minha causa. Mas “ir longe” não me parece o objetivo hoje em dia, apenas aprender e crescer, mas sem você. E nós dois sabemos que essa não foi a primeira nem segunda vez que eu tentei desistir de você.

Da vez mais recente que eu desisti de desistir, você ocupou um papel tão grande na minha vida que as pessoas começaram a me chamar pelo seu nome. Já pela segunda vez eu resolvi assumir drag como “a arte do sacrifício” e raspar minhas sobrancelhas. Eu resolvi te assumir de vez como o monstro que morava em mim sem nenhuma pretensão, talvez só pelo fato de estar cansado de tentar ser eu.

Não é como se a minha personalidade tivesse mudado, mas ela ficou ainda mais volátil. Por dentro tudo que era podre continuava podre como sempre foi.

Eu lembro que quando eu te criei você tinha um esqué de Valentina, sorrindo extremamente e sendo muito simpática, mesmo que fosse forçado. Agora quando as pessoas me chamavam pelo seu nome eu sorria automaticamente, mas não era totalmente forçado. Algo dentro de mim ficava genuinamente feliz pelos outros me chamarem por um nome que não era meu, mas que eu tinha inventado. Mas não era eu.

Eu procurei por diversas vezes separar muito bem você de mim, justamente porque as pessoas costumavam nos juntar. Parece que eu resolvi ceder.

O mais ridículo é que eu sei que ninguém se importa ou nota isso tudo. É tudo coisa da minha cabeça, assim como você.

Quando eu voltei de fato a trabalhar com você foi bom ver que a gente ainda podia conquistar coisas, mas foi tudo tão errado. Eu mal conseguia permanecer sóbrio diante daqueles olhares. Eu resolvi te mudar. Os olhares ficaram menos ruins, mas continuavam péssimos. A nossa paranoia nos enlouqueceu.

Eu desafiei aquele garoto tímido a ser sociável, a aparecer mais e se adaptar a novos meios, como eu já tinha feito diversas vezes, mas em um nível diferente. Fico feliz por ter feito porque aprendi com todas as merdas que jogaram na gente.

Com você eu já me senti amado, ridicularizado, bonito, estranho, divertido, engraçado, patético, forçado, idiota, usado. Provavelmente nada disso é culpa sua ou minha, mas dos outros. E os outros sempre influenciaram muito em nós, mesmo a gente sabendo que isso é errado.

Mas eu cansei de você. Na verdade já cansei há uns meses, mas me vi forçado a te encarar mais umas quatro ou cinco vezes antes de decidir te esquecer, quase contra a minha vontade. E essas últimas foram as piores vezes, pois foi quando eu me senti mais ridicularizado, patético, forçado, sem graça e usado.

Eu tô crescendo nos meus passos de tartaruga, mas eu não quero mais você. Eu não preciso mais de você, nada de bom você é capaz de me proporcionar mais.

Mas eu te amo porque, no final das contas, você sou eu.

Obrigado por tudo,

Tiago Peters.

 

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Aranhas

Uma das incontáveis aranhas que dividem a kitnet comigo me ensinou uma vez que eu não devo confiar no que as minhas ideias dizem sobre elas.

Por mais que tenhamos concordado que elas não devem ultrapassar certo tamanho, algumas sempre passam, mas elas estão longe demais para eu alcançar. Ou talvez seja mera preguiça ou medo de matá-las. Afinal, elas não estão causando nenhum mal além da poluição visual. Mas poluição visual pra quem? Pra quem vem nos visitar e as associa com falta de limpeza.

Elas estão sempre quietas em seus cantos, quase sem ter o que comer. Às vezes eu levo susto quando mexo em algum móvel ou limpo algum canto, mas posso garantir que elas levam um susto muito maior e correm aceleradas. Deixo-as viver.

Essa tal aranha me ensinou que não importa o quanto eu tente me livrar delas, elas sempre vão voltar de alguma forma. Melhor ainda, elas não vão se acumular e crescer em número exorbitantes porque a própria natureza vai regular o ciclo de vida delas. Além de que a casa não é abandonada.

Eu não preciso ter medo delas, mas elas precisam ter medo de mim? Além do mais, não sou eu o único além do ciclo natural que pode oferecer-lhes risco?

Tá bom, aranha, vou deixar você aí, mas você bem que podia ajudar a pagar o aluguel…

Morando em Brasília II

Já disse mas vou dizer de novo.

Eu moro desde março/2016 (s01e03) numa kitnet sozinho.

Uma kitnet na comercial da 412 norte.

Que era uma loja e tem porta de vidro de correr.

Que é no subsolo.

Que fica embaixo de uma mercearia, onde pessoas conversam, discutem, tocam instrumentos bem em cima da minha única pequena janela (tem o tamanho de uma gaveta) que fica quase no teto (tem um termo pra isso na arquitetura que todo mundo na vida deve saber menos eu, o que configura ainda mais que arquitetura não é pra mim se eu não sei e nem quero saber o básico que nem quem é arquiteto sabe).

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Eu sempre morei com aranhas porque elas nunca foram embora e nem me perturbam. A gente tem um acordo que eles só podem chegar até um determinado tamanho, senão morrem. Às vezes eu faço uma limpa e mato todas, até as que não escapam da limpeza comum da casa. Surgem muitas diferentes e fico até com medo de algumas. Mas em geral elas são ótimas.

Ouvir a conversa das pessoas pode ser meio perturbador. Primeiro porque às vezes eu sou obrigado, não tem como fugir. Então às vezes eu presto atenção. O que eu mais odeio é o que eu chamo de “homens fazendo negócios na minha janela”. Tem um que eu não gosto muito também de um cara que vem quase toda segunda e fica falando um bom tempo no celular. Aparentemente ele teve um(a) filho(a) e queria ir pra São Paulo ou Rio (puta merda, viu) e escolheu o Rio (PUTA MERDA, VIU) e a cada segunda fala por um bom tempo com alguma pessoa diferente pra organizar sua vida nova na cidade “maravilhosa”.

Eu sei bem o que os brasilienses tem com o Rio. Sempre que eu falo que venho de lá me perguntam por que eu saí DO RIO (melhor lugar do Brasil) pra ir pra BRASÍLIA (pior lugar do Brasil). E eu digo que eu odeio o Rio. Em outro post eu falo mais disso.

Os brasilienses conhecem a zona sul. O Rio vai do Leme ao Pontal, às vezes passa pela Barra e pode pensar em dar uma passadinha no Porto recém reformado. É Rock in Rio, Parque Lage, Lagoa e praia. Eles vão pro Rio pra ostentar. Quem é que vai todo arrumadinho pra Lagoa andar de bicicleta? Tá, eles vão pra postar foto no instagram.

Quando um brasiliense entra na minha casa é sempre uma surpresa nova. É de querer matar os comentários ou as olhadas. Quem se sente confortável é sempre muito bem vindo, mas em geral odeio receber gente porque não é um espaço muito agradável, confortável e nem dá pra fazer muito barulho (portas de vidro!).

Acho que essa casa diz muito muito muito sobre mim em muitos aspectos. Essa casa escondida no subsolo dessa cidade. Eu ainda vou desenvolver melhor isso… Espero.

Morando em Brasília I

Eu vim do Rio pra Brasília no início de 2016 pra cursar Arquitetura e Urbanismo na UnB. Tudo parecia perfeito: cursar o que eu sempre quis numa das melhores universidades do país e numa cidade que por si só diz muito de arq e urb.

Eu me mudei pra uma kitnet apertada no subsolo da comercial (nem na residencial era) da 412 norte que costumava ser uma loja (com porta de entrada de correr de vidro). Por ser o único local mobiliado num preço decente, eu resolvi ficar e morar sozinho, pra mim bastava e eu estava bem feliz. Morar sozinho em outro estado e perto da faculdade? Melhor impossível.

Não só fazendo o curso, pegando matérias e vendo filmes eu aprendi no primeiro ano que Brasília era uma grande utopia e a cara do Brasil. O plano piloto (ao que as pessoas geralmente se referem como Brasília) é um espaço completamente segregado e divido, o que teve início na própria ocupação da cidade: milhares de pessoas, principalmente do Nordeste, vieram trabalhar na “terra prometida” com esperança de emprego e construção de uma vida para suas famílias.

Sob condições desumanas, milhares de trabalhadores construíram a cidade e não tiveram nada do que lhes foi prometido. Eram milhares de mortes nas obras e todas eram rapidamente escondidas. Quando Brasília ficou pronta, todas essas pessoas foram sendo expulsas de suas casas, cada vez mais longe do centro que eles mesmos construíram. Muitos dos apartamentos do Plano Piloto foram sendo dados para pessoas de outros estados que queriam se mudar e tinham dinheiro para tal. Assim criou-se uma cidade com camadas de segregação. Ao redor do Lago Paranoá pode-se ver gigantes mansões. No plano piloto quase não se vê movimento de pedestres. Os ônibus saindo da rodoviária para as cidades satélites lotados.

Num primeiro momento morando aqui essa falta de movimento me pareceu muito agradável. Ao contrário do Rio, lotado e onde nada funciona, eu podia andar livremente e nem precisar ver gente me olhando torto por ser gay ou estranho. Ninguém pra gritar que eu era bicha ou me olhar com desprezo. Além disso, eu achava que outros problemas justificavam a falta de gente, como cidade recente, prédios baixos e espaçados e a permeabilidade das quadras.

Os jardins com lindas árvores, sons de animais (menos a demonia da cigarra) e ninguém pra perturbar. Parece tudo tão tranquilo.

Mas eu sempre vivi em bolhas. Além da do Plano, eu passava a maior parte do meu tempo na UnB, onde existe todo tipo de gente, várias atividades e muito movimento. Há divergências políticas e ideológicas, há discussão. Durante a ocupação eu aprendi mais sobre como o sistema político do país funcionava e sobre a cidade.

Acho que no primeiro ano eu pensei que poderia fazer o curso de Arquitetura e fazer o possível pra servir ao melhor pra sociedade. Acabei descobrindo que não queria o curso e sim Audiovisual.

O segundo ano foi uma virada bem diferente do primeiro. Eu tentava ficar menos sozinho em casa, conheci novas pessoas e formei amizades (não muitas, mas o suficiente pra mim). Descobri novos lugares, vi novas perspectivas e senti que tinha mudado muito, mas ainda estava num processo de transição para algo. Acho que transição resume bem 2017 pra mim.

Só que quanto mais eu conhecia gente, mais eu odiava tudo o que a cidade significava. Conheci pessoas mais ricas e que soltavam algumas atrocidades. O estilo de vida parecia fútil demais e isso não importava porque eles tinham a vida inteira deles bem resolvida e de mão dada só por serem ricos. Eu nunca me aproximei dessas pessoas, mas consegui ver de perto como eles alimentam uns aos outros e tentam colocar os não semelhantes a eles pra baixo. Acho que só consegui ver isso porque eu sou branco, vim do Rio e “moro na Asa Norte”, então há um tempo relativo até eles perceberem e me colocarem no meu lugar.

No meio do ano eu me vi tão confuso com tudo, sem saber direito o que eu tinha que fazer e como. Se eu tinha que fazer contatos e expôr o que eu fazia ou podia fazer, pra quem eu mostrava isso, como mostrar. É provavelmente por isso que eu sempre fui de ter poucos amigos, minha cabeça vira um turbilhão. Eu acabo odiando as pessoas e querendo ficar sozinho, e na minha solidão…

Eu acho que ainda to muito confuso com tudo pra ter escrito esse texto. Penso que eu preciso enfatizar e esclarecer melhor vários pontos que podem surtir interpretações péssimas e erradas. Às vezes eu acho que pode parecer que eu, classe média, posso estar tentando buscar aprovação da elite. Acho que eu quero mesmo é entrar no meio dela e explodir por dentro.

A grande maioria das pessoas ricas que eu conheci ao longo da vida, independente da ideologia que seguem ou foram criadas, é esnobe (por mais que tente não parecer pra se fazer de “humilde”) e mimada (fazem as birras mais escandalosas). A diferença está nos que procuram se auto criticar pra baixar a bola de vez em quando, mas em geral todos eles se acham muito mais inteligentes e te colocam pra baixo em qualquer oportunidade (às vezes sem nem perceber). Inclusive colocam uns aos outros pra baixo. É tudo classe, poder e dominação.

Já conheci muitos que parecem mais inclinados à esquerda que eu, mas continuam a exercer sua dominação de uma forma contrária aos ideais que tanto dizem defender.

Virou mais uma sessão desabafo que um texto sobre a minha vida em Brasília, isso vem acontecendo em todos os textos, mas ok.

Enfim, vamos resumir.

Brasília foi projetada para ser uma coisa. Uma coisa utópica. Virou outra. Virou a cara do Brasil.

Minha vontade de morar aqui vai diminuindo. Eu ainda acho uma cidade (não só plano piloto) linda e MUITO esquisita. Acho que eu fui salvo a achar que aqui é um bom lugar por estudar na UnB e por não ser o Rio. Eu tenho que fazer um post só de como eu odeio o Rio, inclusive, e de como eu devo ter que voltar pra lá.

Morar sozinho é maravilhoso, ainda mais quando você pode ficar longe de uma família problemática. Eu aprendi muito sobre mim, sobre as pessoas e sobre o mundo. Acho que foi uma experiência de transição e agora eu estou mais pronto pra encarar a vida de frente. Não quero e não posso deixar ou me convencer de que foram dois anos de gastos e tempo jogados fora.

Gaga (Parte 1?)

Eu poderia escrever mil posts falando sobre a Gaga sob diferentes aspectos e analisando mil coisas diferentes e juntando informação, então vou focar num só pra esse.

No post da Alaska eu já justifiquei mais ou menos a importância delas pra mim e não acho que preciso me prolongar nesse sentido, mas ir mais a fundo.

Pra começar, a Gaga salvou minha vida diversas vezes e diversas maneiras. Eu me sinto vivo e continuo “lutando” 85% por causa dela e 15% por mim mesmo, mas com o tempo eu aprendi que preciso fazer com que seja pelo menos 85% eu.

Por mais que ela tenha me ajudado em muitos momentos, eu precisaria definir dois em especial. Enquanto a Alaska definiu um momento meu de criação drag lá pra 2014, a Gaga me fez me aceitar e assumir (2011) e agora (2017) um efeito parecido está voltando, não sei se tão grande quanto 2011, mas importante. Talvez seja necessário um post de contextualização desse momento da minha vida.

Tudo começa de uma transição dela de ARTPOP pra Joanne e “terminando” no lançamento do documentário Five Foot Two. Uma frase me marcou muito “em ARTPOP eu era uma garota tentando lidar com o mundo, em Joanne sou uma mulher”. Acho que a frase resume também grande parte da intenção do filme, mostrando uma Gaga madura, em controle da sua vida e das suas vontades, e se formando para ser mais aclamada e respeitada como artista e pessoa.

(Lembrar de falar de Marry the Night).

No final de ARTPOP ela lançou o vídeo de G.U.Y e, na introdução (ao som de ARTPOP hehe) ela conta como foi demitir um manager e virar as costas pra um sistema que só queria tirar dinheiro dela sem respeitar suas decisões e vontades. Um sistema que lucrou muito com o nome dela nos últimos anos e que exigiu sucesso financeiro de uma artista que talvez não fosse vender tanto quanto antes. ARTPOP acabou sendo uma era muito conturbada em todos os sentidos, em sua execução, planejamento, vendas, divulgação, conceito. Olhando de hoje, acho que tudo poderia ter dado muito certo se não fossem esses (e outros) fatores internos (como a própria Gaga) e externos.

Ela contratou um manager já conhecido e parte da Haus. Eles dois cresceram e fizeram um trabalho incrível juntos ao longo dos anos. Ambos foram essenciais nesse processo que fez dela sair com uma imagem de uma popstar qualquer para uma artista mais completa e respeitada.

De ARTPOP ela foi pra Cheek to Cheek. EU AMO, TÁ? De verdade, eu sei todas as músicas e meus avós também. Acho péssimo os fãs ignorarem essa etapa que foi fundamental pro crescimento dela. Inclusive, eles ganharam um Grammy, né? Algo que parece mais essencial pra vida de alguns fãs (trust me, I’m on gagadaily). Ela sempre diz que o Tony salvou a vida dela e eu consigo ver isso. Esse é um back to basics dela. É quando ela volta ao seu próprio início (ela vem cantando Jazz desde os 13, sabemos bem) para voltar a caminhar pra frente.

Eu acho essencial essa etapa. Acho que eu já falei em outro post, mas uma das coisas que eu aprendi com ela em 2011 foi ter uma análise crítica e introspectiva em momentos de crise para poder voltar a andar. E é um processo que envolve, pelo menos pra mim, voltar no tempo e descobrir a minha essência quanto a personalidade e crenças.

Algum tempo depois ela lança Joanne, o que muitos acharam ser um back to basics, mas já tinha ocorrido e só ignoraram. O back to basics dela não pode ser com influência country porque esse nunca foi o gênero de origem dela (mas ó, o Jazz foi um deles).

Nesse álbum as letras estão mais maduras, os instrumentos são menos eletrônicos e a voz dela é a menos modificada possível, o que soa incrivelmente melhor (outro benefício do Jazz: ela melhorou ainda mais a voz).

Os looks foram meio rejeitados pelos fãs e público, que esperavam a Gaga de 2010 de volta. Dessa vez ela lançou uma era com short jeans e camisa branca. E SEM SALTO ALTO. Ela quer que as pessoas foquem na música e no seu talento, ao invés de focarem nas outras coisas que >COMPÕE< suas performances. O público não consegue enxergar além do teatro de extravagância.

Eu também adoro no documentário quando ela conversa com a Ruth Hogben sobre a identificação visual do álbum, dizendo que o foco deve ser “naquela garota do estúdio”, aquela que usa short jeans e camisa branca. Isso basta. Então, a partir desse padrão, elas variaram as roupas com diversos jeans e camisas por semanas, assim como em todas as suas outras eras. A Gaga não deixou de ser Gaga, eu vejo ela se provando Gaga por continuar criando da mesma forma. Mas, ao mesmo tempo, é difícil definir o que é Gaga.

Não vou ficar detalhando minha vida e comparando com esses pontos que eu destaquei, acho que vai fazer mais sentido com um post sobre como eu estou agora.

De qualquer forma, de 2013 pra cá, a Gaga se livrou de um sistema (pro qual ela se vendeu) abusivo da indústria musical, criou um ARTPOP conturbado, voltou no tempo, se redescobriu, se reinventou e se lançou de volta ao mundo. De primeira acho que demoraram (inclusive eu) pra entender todo o processo de crescimento pessoal, além do artístico, mas eu acho ótimo pra se inspirar.

Deve ter faltado muita coisa nesse texto, com certeza não ficou como eu queria. Foda-se. After all this is ART and POP, isn’t it?

Alaskaaaaaaaaaaaaaaaaa

 

(…) and the minute alaska got away (from sharon) even tho it was devasting (…) she’s blossomed into this supertalent (…) but it took her getting cleaner and sober to see it and getting away from her (sharon) to allow it.

Take care of yourself first.

Eu amei a Alaska do minuto que eu a vi, com as perninhas mt magrelas e tortas, toda vestida de saco de lixo andando na passarela de s05e01 de drag race. Eu tinha me visto naquela personalidade, naquele corpo, naquele palco, naquele programa, naquela roupa. Com o tempo meu amor só cresceu porque eu listava cada vez mais coisas em que éramos parecidos, desde o drama até a persona tímida e calada out of drag.

Acho que ninguém ou quase ninguém consegue entender esse meu amor por ela (e pela Gaga) e veem como algo imaturo ou uma paixonite de fã adolescente obcecado. Mas eu sempre as idolatrei por ter sentir uma conexão forte com elas como pessoas e nas suas visões sobre a vida e como encará-la. Além do fato de que as duas já me tiraram muitas vezes do fundo da depressão e suicídio. E acho que isso já deveria ser o suficiente para idolatrá-las.

Eu admiro muito o quanto elas foram espertas para conquistar o que elas queriam, seja lá o que for na cabeça delas. Eu vejo isso no início da carreira da Gaga e na caminhada para o All Stars 2 da Alaska. Após a 5ª temporada ela conseguiu deixar tudo que a segurava pra trás e ao chegar no All Stars 2, ninguém sabia jogar aquele jogo melhor que ela. Independente do que digam, ela foi muito bem nos challenges ao longo da temporada, mostrou um crescimento desde a 5ª temporada (o que ninguém considera pelo fato dela ter conseguido manter um status ótimo e crescer ao longo dos anos) e penso que ela forjou um drama no final da temporada. Não que não tivesse sido real, porque ela é muito dramática fora das câmeras (muitas drags já disseram isso, inclusive ela mesma), mas porque é típico do próprio programa uma drag ter seu momento de caída logo na reta final, principalmente no último episódio. E é aí que o público costuma se conectar ainda mais com o personagem, que se demonstra mais humano, mas acabou surtando o efeito contrário, criando um ódio enorme e crescente pra cima dela por causa da birra. Se foi ou não planejado, eu também não tinha curtido o momento, mas acho compreensível uma pessoa naquele estágio da competição, com tanta coisa na cabeça, com tanta sede de vencer, tanto foco e frieza que ela teve, uma breakdown.

Meu problema com o momento não foi nem isso e acho que o da maioria também não. Foi o tamanho drama, parecia birra mesmo. Eu mesmo não me encontro em posição de julgá-la nem um pouco e provavelmente a grande maioria do público também não. Se foi real, eu entendo. Se foi uma forma de jogar o jogo do programa, eu ajoelho.

De qualquer forma eu tinha um ponto pra falar e não era esse.

As pessoas nem sempre parecem entender a minha obsessão por ela e pela Gaga. Parece muito aquela idade na adolescência que você precisa deixar seus brinquedos pra trás e começar a “crescer”. É como se eles quisessem me dizer que nem a Gaga nem a Alaska me conhecem ou se importam comigo, mas eu nunca disse que isso seria um problema.

Eu já conheci a Alaska duas vezes (e abri um show dela yaaaaaas). Da primeira vez ela foi muito fofa e atenciosa, diferentemente do que dizem sobre seus meets. Na segunda a gente mal se falou e eu não me importei tanto porque eu tava focado no meu show. Eu podia ter tido “mais tempo” com ela no backstage, mas eu tava tão feliz em ter feito o meu sonho. Eu tinha abrido o show de uma das maiores drag queens internacionais e ela era minha preferida, nada mais importava.

Eu já enviei Tutu da Lata pra ela, que viu e gostou (a Katya nunca respondeu meu email com link). Ela já me respondeu vezes no twitter, instagram, já tinha conhecido duas vezes, nada disso importa além do momento de “reconhecimento”. Eu sei que ela não faz ideia de quem eu sou e nem quer saber. Na posição dela(s), eu provavelmente teria o mesmo pensamento, principalmente quando elas recebem uma enxurrada de fãs doidos gritando e pedindo uma foto.

Eu também sei que fazer o público se identificar com a sua arte para comprá-la é uma forma de vender seu produto. Eu compro o produto das duas com muito prazer, e, apesar do produto das duas incluir muito discurso de auto aceitação e realização (qual o mal nisso?), eu não me sinto único ou superior aos outros. Talvez me sinta afastado da enxurrada de fãs que pede foto gritando, mas isso não me torna tão diferente deles.

…me perdi de novo.

Enfim, eu me conecto com elas em muitos pontos de forma que eu aplico muito do que elas dizem na minha vida, onde eu acho que cabe ou não. Elas me fazem refletir e pensar melhor minhas escolhas, sem nem que elas queiram.

Eu me identifico com elas.

Muito disso tem a ver também com meu amor por tartarugas (isso fica pra depois). Nada tem a ver com o trajeto delas para a fama. Isso fica pra depois também, mas (por algum motivo eu sempre me justifico ao máximo) acho que sempre me veem como alguém que aspira a fama por causa da Dandy. Enfim, fica mesmo pra outro post.

Conclusões não conclusivas: meus textos são grandes desabafos desordenados com umas conexões meio estranhas e uma introdução que virou outra coisa, mas pelo menos eu escrevi.

Episódio piloto

Hoje eu pensei em qual seria a numeração do episódio em que eu to agora e qual seria o nome. Então pensei que seria lógico contar janeiro de 2016 como início de mudança pra Brasília, então seria s01e01, então eu estaria no s02e10 (outubro 2017). Isso tudo porque eu queria nomear um episódio da minha vida como “It’s not a bong, it’s a bubbler“. E eu espero fazer um post com esse título porque ele é outro motivo de eu querer estar escrevendo aqui. Podia ter subtítulo: no, it’s not a dildo, mom. And yes, I smoke weed, you know that. Sim, eu me odeio por ficar falando frases em inglês, mas virou um vício.

Anyways, eu acabei percebendo que a maioria dos rascunhos eram na verdade só títulos de assuntos que eu pretendia escrever, mas não tinham conteúdo nenhum. Eles tão marcados com algum aviso de um “2017:”.

Os rascunhos/assuntos eram: The Born This Way Ball Tour, Sunset Boulevard, Shock Treatment, Prayers for Bobby, Phantom of the Paradise, O Mágico de Oz, O Bebê de Rosemary, Marina Abramovic, Laranja Mecânica, Lady Gaga e Andy Warhol.

E eu vou dizer uma coisa só: como eu queria que eu tivesse escrito algo, nem que fosse um parágrafo sobre esses assuntos que eu ainda amo.

Acho que teve uma fase da minha vida que eu comecei a pesquisar muitos filmes, músicas e artistas, mas de repente essa sede meio que ficou mais lenta e eu sinto que eu consumo muito pouco hoje em dia. Isso é péssimo, ainda mais pra alguém que quer cursar comunicação. Então muito dessas coisas que eu conheci e amava em 2010-2013 me moldaram de uma alguma forma.

Enfim, eu esqueci o que eu ia escrever aqui, mas acho que eu deveria explicar alguns motivos para estar postando (alguns deles eu escrevi em uns posts antigos, então estão espalhados por todos os textos).

Primeiramente, eu to numa péssima fase. S02E10 tá sendo difícil. E um mecanismo que eu sempre gostei de usar quando estou em momentos ruins é a introspecção. Isso surgiu quando eu tinha uns 15 anos, com uma grande influência da Gaga na minha vida pessoal. É algo que eu faço até hoje, mas um pouco menos grudado na experiência de introspecção dela e mais adaptado a mim. Durante o Born This Way ela falava de renascer, de aceitar seus erros e crescer com eles, principalmente em momentos ruins. Às vezes eu sinto que eu faço escolhas ou caminhos errados, mas eu não preciso continuar seguindo nesse caminho. Eu posso voltar e crescer com aquilo para poder escolher algo melhor pra mim. E isso inclui captar minha essência. Eu penso em como e quem eu era quando criança e quais traços da minha personalidade eu deixei pra trás para me moldar, ao invés de ser eu mesmo. Então eu tento resgatar esses traços pro meu eu atual. Sim, eu sou muito apegado ao passado e isso pode fazer mal. Acho que é uma boa razão para eu me achar tão infantil e inocente, mas pelo menos tenho a percepção disso. Só queria que as pessoas não tirassem proveito disso como se eu fosse burro.

Enfim, eu tenho falado com amigos e percebido muitos erros na minha vida. Eu tenho procurado entender melhor eu mesmo pra saber me cuidar e procurado tentar estabelecer melhores relações com as pessoas. Faz parte do processo saber se auto criticar, mas entender alguns defeitos ao invés de rejeitá-los. Ultimamente tem sido um bom processo pra mim perceber que as outras pessoas tem defeitos também e que eu não devo tentar justificá-los por achar que só eu sou defeituoso. Às vezes a gente tenta defender ou esconder os erros das pessoas que a gente gosta, ama ou conhece e isso atrapalha o convívio.

Acho que com o tempo as pessoas perdem a paciência pra analisar o outro, se auto analisar, analisar a sociedade e o mundo. Ainda mais depois de crises (em esfera econômica e pessoal) e frustrações (em esfera política e pessoal).

Pera, pausa. Eu sempre fui assim de sair escrevendo sem nem pensar e agora eu preciso falar de três coisas, mas eu vou esquecer e desenvolver outros assuntos. Vai ser confuso, então vou listar. 1) Texto icp; 2) ver o geral além do detalhe; 3) merda esqueci o 3.

  1. eu quis dizer esfera política e econômica nos parenteses porque eles se correlacionam com momentos recentes com minhas desilusões de participação política. Isso cansa muito as pessoas com o tempo e as desilusões afastam muito a gente de tomar ação. E eu gosto de um texto que me foi passado numa aula de introdução à ciência política do Hirschman que eu acho que é democracia, participação e ação coletiva. Eu devia fazer um post falando sobre a minha época na ocupação na UnB by the way.
  2. Acreditem, eu não sou do tipo que entende de signos ou se importa muito, mas eu gosto de ler de vez enquanto algumas coisas sobre porque, mesmo que não reflitam tudo sobre mim, ajudam a me fazer enxergar pontos que eu poderia melhorar em mim. Inclusive acho que esse é o grande “mal” dessas pessoas que adoram estereotipar tudo pelo signo, ao invés de servir pra algo bom e interessante, ficam usando pra justificar seus erros (ex.: “ai sou agressivo mesmo e escroto porque sou ariano, lida com isso você). O exemplo foi aleatório. ENFIM, outro dia eu li que os virginianos conseguem ver muito bem os detalhes, mas às vezes tem dificuldade pra enxergar o geral ou o objetivo ou ponto principal. E eu m identifiquei muito com isso. Eu costumo seguir caminhos e analisar muitos pontos mas que nem sempre são o principal ou o mais geral. E quando eu vou ver já to seguindo no lugar errado por muito tempo. ENFIM de novo, isso tinha conexão com algum ponto do que eu tava escrevendo antes e eu não lembro o motivo, mas eu sei que é importante pro blog em geral. Viu? De novo. Eu sei esse ponto específico, mas não sei pra que ele serve, só sei que é importante.
  3. Lembrei! Eu ia falar que o documentário da Gaga (Five Foot Two, vejam) me influenciou muito (como tudo que ela faz) e umas partes ficaram na minha cabeça. A que se encaixa nesse momento é em que ela diz “em ARTPOP eu era uma garota lidando com meus problemas, em Joanne eu sou uma mulher”. Ela enfatiza essa jornada de crescimento e amadurecimento. Lembro dela dizer (não lembro onde, talvez no documentário ou entrevistas) que quando você cresce na frente da mídia e estoura com 19, 20 anos você para de crescer. E ela foi reparar isso aos 30. Eu certamente não sou a Gaga, não cresço na frente da mídia e nem to nos 30 anos, mas eu sinto que preciso tomar atitudes e crescer mais pro meu próprio bem. Eu quero saber lidar com as pessoas e comigo mesmo de forma saudável. Além de como eu já falei mais cedo, eu to cansado de me sentir infantil e inocente e ser usado e mal tratado pelos outros por isso.

Eu sei que eu falo muita da Gaga e eu tenho que fazer um post só pra explicar os motivos de considerar ela uma referência tão forte de vida. É outra coisa que me incomoda porque eu sinto que as pessoas deixam de ser fãs para amadurecerem ou por alguma desilusão. Às vezes parece aquele momento que você precisa deixar seus brinquedos de criança pra trás.

Eu tô numa fase muito ruim da minha vida e eu já passei por algumas parecidas, por outros motivos. Todas incluem depressão e pensamentos suicidas. Eu acho necessário falar disso porque eu sei que muita gente tem, mas a gente não conversa por medo de fraqueza ou por não saber se expressar ou por não saber se pra quem a gente quer contar vai entender. Eu já senti os três várias vezes e recentemente passei pelo último. Você conta que está numa péssima fase com pensamento suicida e a pessoa responde como “ah, mas é a vida, todo mundo tá fodido”. Então eu volto a retrair minhas emoções. Isso me suga, eu pareço que não vejo motivos pra ser feliz. Levantar da cama é difícil, ir pra aula é quase impossível.

(Desculpa longos parágrafos).

Acho necessário enfatizar também onde eu moro, como eu moro, com quem eu falo, como eu me comporto e onde eu vou. Mas isso deve ser um season 01 episode alguma coisa.

Então antes de começar preciso concluir um pensamento lá de cima. Eu resolvi voltar a escrever especificamente nesse blog porque parece legal ter de referência textos do Tiago em 2013 escrevendo sobre arte e cultura pop só pra se divertir, sem intenções. Revela partes de mim que eu gosto e acho interessante. Inclusive vou deixar essa capa, título e subtítulo tudo da forma como era originalmente.

 

 

-pausa 2-

Nada ta dando muito certo, eu fui publicando os posts de rascunho só que eles são publicados na data do rascunho, então se misturou com o material antigo, mas tem anotações escritas “2017:” onde sou eu de agora comentando coisas.

Quem mandou usar fucking blog, quem é que escreve blog, porra?

-pausa-

esse não é um rascunho.

Eu não tinha lido nenhum dos rascunhos e acabei de ler esse primeiro de artpop. Queria lembrá-lo(s) que eu tenho novas opiniões, visões e jeitos, então não me critique(m) se eu tiver falado alguma merda porque a gente cresce (alguns crescem).