Em um momento 100% Warholiano, Gaga usa referências para seus “Crevette films” (Crevette = camarão; pequenos e saborosos) como interlude da The Fame Ball. Sua personagem, Candy Warhol, passa por um processo de transformação para uma celebridade fabricada. O nome Candy, eu acredito ter vindo da Candy Darling, um dos braços direitos do Andy Warhol na Factory. Também acho que o título faz referência à Andy, pelo filme “I Shot Andy Warhol“, que conta a história da Valeria Solanas, uma feminista radical que tentou vender seu manifesto à Warhol, mas foi ignorada e acabou atirando nele, que quase chegou a morrer.

THE HEART

Na primeira parte, Candy tenta convencer um homem de que o Pop comeu seu coração e quando ela tenta dizer como se sente, o homem pergunta “vazia?” e ela nega: “Me sinto livre.”

Nesta primeira parte, a questão é clara: ela deveria se sentir vazia sem seu coração, sem sentimentos, mas ela se sente livre. Livre de/para que?

THE BRAIN

Agora o Pop comeu seu cérebro; ela não perdeu a “cabeça”, sabe exatamente onde está. “Ele deixou algo para trás.” “Uma máquina.” Seria esta máquina a que produz celebridades/produtos constantemente? Todos iguais, fabricados em massa para a população? “E então eu pensei: a fama.”

Notem o som de máquinas trabalhando ao fundo no início do vídeo, como se estivesse realmente fabricando algo, e a escova de Hello Kitty, um símbolo de inocência e fabricação (para os mais radicais, controle mental).

THE FACE

“O que o Pop disse?” “Ele precisava de uma cara nova.” Com a cara desfocada, Candy se apresenta como Miss Candy Warhol, mas o homem não gosta de sua resposta, ele quer seu nome de verdade. “Eu não entendi a pergunta.” E em seguida tenta atirar, incorporando ‘Triple Elvis’ do Warhol.

Os vídeos criticam a produção de uma celebridade, sem coração, sem cérebro, sem rosto. O Pop devora tudo o que as pessoas tem para oferecer e criam robôs ou produtos, todos iguais. As três peças mostram a evolução e formação de uma estrela, que ao fim, deixa de ser ela mesma e se apresenta com outro nome. Agora ela é Candy Warhol, mais uma celebridade.

Como já comentado em outro post, era exatamente isso com o que Andy Warhol trabalhava: a repetição, o culto a celebridade, o ícone, a fama e os meios de produção. Gaga critica isso em seu trabalho, chegando a dizer que tem medo de Hollywood na entrevista para o Showstudio (e também em várias outras ocasiões) pela fabricação, o sintético e a ideia de falso que oferece.

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