Uma das peças de arte mais famosas do mundo, ‘Marilyn Diptych’, feita por Andy Warhol em 1962, foi feita por silkscreen, técnica muito utilizada por Warhol durante toda sua vida por persistir na repetição de várias imagens iguais.

Assim que Marilyn morreu, em agosto de 1962, Andy passou meses fazendo silkscreens dela, de uma mesma imagem da revista Niagara. E Warhol sabia muito bem sobre a vida das celebridades, a fama, o mecanismo da repetição e as visões sobre uma celebridade. Desde muito pequeno soube diferenciar o ícone da imagem, que começou pela sua adoração à Shirley Temple. Diferentemente de seus irmãos, ele adorava ir ao cinema ver filmes dela e pensar que ele poderia se passar por ela, por fazer o mesmo que ela fazia nos filmes, na vida real. Queria ser famoso, ser dono de uma fábrica e salvar sua mãe da classe trabalhadora de Pittsburgh. Ele costumava catolizar as imagens que ele tanto via durante a infância, transformando as imagens da cultura popular americana em ícones Bizantinos. Warhol sabia que uma imagem, como uma foto na revista, representava algo ausente do presente, enquanto o ícone incorporava a presença daquilo que representava. No caso das imagens da Marilyn, são entidades diferentes como imagem e ícone, uma fotografia história da Marilyn Monroe, que estava morta, e a pintura do ícone da presença ‘mágica’ da Marilyn no ambiente onde a pintura está.

“Because the more you look at the same exact thing, the more the meaning goes away. And the better and emptier you feel.”

“I don’t want it to be essentially the same – I want it to be exactly the same.”

É muito importante notar que metade das cinquenta Marilyns são coloridas e as outras em preto e branco, assim como há apenas a repetição de uma imagem e como as imagens possuem algumas diferenças entre elas. A mudança de cor pode muito bem representar a vida e a morte, o símbolo e a realidade. As imagens coloridas dão vida, passando a impressão do produto usado pela mídia e consumido pelas grandes massas. Assim como percebe-se que as imagens vão ficando mais claras de modo que parece se desfazer até um momento poder atingir o branco, a mortalidade da estrela. Porém, enquanto a imagem estiver ali, o ícone sempre estará presente.

A transição do colorido para o preto também pode ser feito de modo contrário, fazendo com que a imagem passada seja do clássico “você pode ser uma celebridade” ou uma espécie de American Dream, de maneira a criar duas realidades diferentes no mesmo conceito.

Assuntos como esse voltarão porque ainda há sempre muito o que falar e explorar neste assunto com vários artistas diferentes e vários exemplos diferentes. Sou apaixonado por discussões de produção em massa, enaltação da imagem e culto ao artista, além da queda e questionamento da arte e do artista na sociedade atual.

O modo de produção das peças de Warhol sempre fizeram o mundo questionar a arte presente, além da técnica usada por ele. A televisão, o comércio e a fama também podem ser arte? A repetição e o consumo apresentados por ele podem ser considerados uma forma de arte e questionamento da sociedade moderna?

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