Há mais ou menos duas semanas eu decidi aleatoriamente pesquisar sobre filmes que falavam sobre moda e me deparei com “Bill Cunningham New York“. Fiquei interessado, um fotógrafo influente no mundo da moda em Nova York, com certeza parece algo que eu me interessaria de cara. Após ler um pouco sobre ele, resolvi ver o documentário biográfico e me apaixonei.

Em seu colete azul, sua bicicleta e uma câmera no pescoço, Cunningham pedala pelas ruas de Nova York fotografando o que ele acha que merece atenção, sempre deixando claro que não gosta de roupas sem graça. Trabalha para o The New York Times com suas fotografias de moda de rua.

O documentário fala sobre o modo de vida tão diferenciado de Cunningham. Mora num apartamento minúsculo no Carnegie Hall, lotado de suas fotos arquivadas, sem banheiro, cozinha ou sala. Ele usa o banheiro público do prédio e dorme numa cama pequena em cima de mais arquivos de fotos.

Em sua 29ª bicicleta (teve 28 bicicletas roubadas), ele vai para eventos, festas e jantares para fotografar modelos, artistas e celebridades. Sempre recusa comer ou beber enquanto está trabalhando, mesmo que sempre o ofereçam. É conhecido por ter fotografado milhares de artistas nas ruas (apenas o que se vestem de uma maneira não entediante) e fotos ousadas de pessoas que por elas passam.

O modo como ele soa ingênuo, o seu trabalho, seu estilo de vida e a importância dele para o mundo da moda me conquistaram com facilidade. De alguma forma, ele conhece todo mundo assim como todos o conhecem, superficialmente, sem nenhum detalhe da vida pessoal. Os artistas não sabem como ele vive ou sobre seu passado e nem isso é revelado no documentário, já que ele não se sente a vontade falando sobre o assunto.

Acho que o que mais interessa nele, juntamente com sua humildade e ingenuidade, é o espírito de inclusão. Assim como vemos em muitos outros discursos, ele acaba pregando que a moda e a arte podem estar em qualquer lugar. A maneira com que você se expressa também é arte e está nas ruas, não só em determinadas classes sociais ou eventos. Podemos fazer arte sem sermos artistas.

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